segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Até quando o governo continuará dando aos mais ricos?

Impressiona como o Brasil não aprende, como comete sempre os mesmos erros, como é reativo e só age quando o problema já está consolidado.

Ano passado com o objetivo de estimular o consumo e se evitar recessão econômica, carros e alguns eletrodomésticos foram isentos de IPI. É claro que tal isenção favoreceu o consumidor final que comprou com melhor preço, mas os grandes beneficiados foram às montadoras e as industriais que puderam vender mais e lucrar ainda mais.

Essa semana foi anunciado um suposto plano de estímulo à competitividade das empresas que desonera as indústrias do pagamento de diversos impostos. Tudo isto para aumentar a competividade ao exportar vista o dólar desvalorizado em comparação com o real. O real é moeda forte hoje.

A presidente Dilma usou em seu discurso a expressão concorrência desleal e guerra cambial ao anunciar o plano. Isto é balela, o problema não é este. Produtos produzidos aqui são exportados e vendidos mais baratos em outros países do que aqui. Os automóveis são um bom exemplo. Além dos impostos cobrados aqui serem altíssimos a indústria lucra demais, a lucratividade é sempre alta e quando elas aparentemente começam a enfrentar algum problema vem o governo e lança planos de estímulo a competitividade: palhaçada.

O que o Brasil precisa é de uma reforma tributária séria e não de planos que favoreçam apenas aos grandes. Como fica o pequeno? Cadê o incentivo para o empreendedor que tem um micro negócio? Os pequenos negócios fecham as portas por não conseguirem competir com as grandes empresas instaladas aqui no Brasil e o governo não faz nada. Agora quando a mesma coisa acontece, mas com as grandes empresas na concorrência com empresas estrangeiras, aí sim há isenção fiscal e diversas medidas para fazer a concorrência ser leal. Volto a afirmar: palhaçada.

O governo comprará de empresas nacionais mesmo pagando até 25% mais caro e terão preferência àquelas que geram mais empregos e investem em tecnologia. Exportadores de bens industrializados receberão novamente 3% dos impostos pagos. O Brasil abrirá mão de aproximadamente 25 bilhões de reais em impostos nos próximos dois anos. De acordo com o governo isto gerará emprego e ele voltará a arrecadar com a economia fortalecida. Será!?

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sábado, 13 de agosto de 2011

Impostos respondem a pouco mais de 50% do preço da gasolina


Escrito por Fábio Bonillo
Seg, 16 de Maio de 2011 08:32


Na última semana de abril, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os preços médios dos combustíveis ao consumidor ficaram em R$ 2,89/l para gasolina; R$ 2,325/l para etanol e R$ 2,012/l para o diesel. Desses valores, os impostos chegam a responder por até 50%, como no caso da gasolina.

O preço do combustível é formado por três parcelas: lucro do produtor (ou importador), margens de comercialização/distribuição e impostos. Esses tributos podem ser federais - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), Programa de Integração Social/Programa de Formação do Patrimônio do Servidor (PIS/Pasep) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) - e estaduais - Imposto Estadual sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Segundo a Petrobras, do preço do litro de gasolina com 25% de etanol anidro vendida nos postos brasileiros entre 24 e 30 de abril, por exemplo, a maior parte, 27%, era referente ao lucro da empresa estatal sobre o produto; 26%, ao ICMS; 21%, ao custo do etanol anidro misturado; 13% à distribuição e revenda, e outros 13% aos tributos federais. Portanto, dos R$ 2,89 que o consumidor pagou por litro, R$ 1,1271, ou 39%, foram referentes a impostos.

Essa porcentagem chega a 53,03% no cálculo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), porque leva em conta apenas a cidade de São Paulo e outros impostos que não entram no cálculo da Petrobras, como tributos sobre lucro e folha de pagamento, segundo o presidente da entidade, João Eloi Olenike.

Segundo o presidente do IBPT, a alta carga tributária sobre o preço dos combustíveis - principalmente sobre a gasolina - prejudica o crescimento econômico e o bolso do brasileiro. "O Brasil tributa consumo, produção, faturamento e salário antes de formar riqueza. Isso desestimula a produtividade, o empreendedorismo, porque é melhor jogar seu dinheiro no mercado especulativo do que ser supertributado abrindo uma empresa", afirma.

"Em outros países, a tributação não é tão grande em cima do consumo e os preços são mais acessíveis. Falavam que o dólar alto forçava a gasolina para cima, mas agora que a moeda está super baixa, a gasolina continua igual", acrescenta.

Já o etanol hidratado combustível, que não tem incidência da Cide e possui ICMS menor que o da gasolina por motivos competitivos, tem uma carga de impostos que chega a 23% do preço na bomba, de acordo com cálculo da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis). No caso do diesel, a tributação é semelhante à do etanol: 24% do preço.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Pagani Huayra é barrado nos Estados Unidos

As leis de segurança nos Estados Unidos estão cada vez mais severas e não permitem “brechas”. A Pagani que o diga. O Huayra, novo superesportivo da marca italiana, está proibido de circular no país. Motivo: não há airbags frontais instalados, fato irônico em um modelo que custa nada menos que 1 milhão de Euros (R$ 2,3 milhões). Mas o argentino Horacio Pagani, projetista e dono da fábrica, confirmou que desenvolverá o sistema.

De acordo com Pagani, “a integração de airbags já estava nos planos da companhia desde o início do projeto”. O engenheiro-executivo disse que o sistema “inteligente” das bolsas infláveis vai custar US$ 4 milhões e deve elevar o valor das 15 unidades já encomendadas por clientes norte-americanos em cerca de 267 mil Euros (R$ 613 mil). Eles também terão de esperar até primeira metade de 2013 pelo supercarro.

Interior do Huayra esala sofisticação e luxo, mas a falta de airbags foi suficiente para barrá-lo nos Estados Unidos

Fonte: Revista Auto Esporte


Enquanto isso, aqui nossos "carros de papelão" são vendidos a preços super-faturados?
Já reclamou do governo hoje?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Retratos do Brasil #1

Retratos do Brasil vai ser uma nova "série" aqui no blog. Vou postar fotos comparando preços de produtos aqui no Brasil e no exterior de todos os tipos de produtos, não apenas de carros. Para fazer a conversão de valor da moeda estrangeira você pode utilizar o Google. Vejamos o exemplo abaixo:


Vá para o google e digite 2,495 dólares para reais e você verá o valor convertido seguindo a cotação atual.
Vale para todas as moedas. Tente por exemplo 2.256 libras para reais ou 1.698 euros para reais e veja o resultado.

O exemplo acima foi de uma mesa digitalizadora WACON. O resultado é que nesse produto nós pagaremos  R$2.948 mais caro!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Heloisa Villela: Um susto com os preços no Brasil

Foi um susto!

Em tantas idas e vindas norte-sul nesses quase 23 anos trabalhando nos Estados Unidos, nunca achei o Brasil tão caro. Entre o fim de junho e o começo de julho, passei três semanas em casa: Rio, São Paulo, Mato Grosso do Sul. Sempre paguei mais caro por livros em português. Para mim e pros meus filhos. Afinal, todo investimento nessa área é pouco! Compra-se livro bem em conta nos Estados Unidos. Ainda mais depois do advento da internet. Agora, tem sempre a oferta dos usados que saem por menos de um dólar. No Brasil, ainda é caro ler.

Mas se os livros sempre foram mais caros no Brasil, a comida, os sapatos, as roupas, os carros… Pensei: aí deve ter matéria. Saí com uma equipe da Record prá checar as diferenças e tentar entender o que está acontecendo. Fui parar no escritório de Joel Leite, jornalista especializado no mercado de automóveis que tem um site sobre o assunto (www.autoinforme.com.br). Joel estava escrevendo sobre o Lucro Brasil. Nada de Custo Brasil. Esse tempo já passou. Agora, as empresas estão faturando de verdade.

Pois o Joel se deu ao trabalho, ao longo de vários meses, de destrinchar a composição de preços dos automóveis. Nas ruas de São Paulo, qualquer pessoa repete a ladainha: por que os carros são tão caros aqui? Por causa dos impostos. Gente motorizada e gente a pé, no ponto de ônibus. Não importa. A certeza é a mesma. E ainda tem aquela história do Custo Brasil – seria mais caro produzir mercadorias no país por causa da infraestrutura engarrafada e do custo do capital.

Mas o Joel me explicou que não é nada disso. Ele tirou impostos, alíquotas, etc. e tal e no fim, o carro brasileiro continuava sendo o mais caro do mundo. É isso mesmo. O Brasil, que em 2010 ganhou o título de quinto maior produtor de automóveis e quarto maior mercado consumidor do mundo, em matéria de preços, ganha de todos os outros países. Tamanha produção e tamanho consume jogam por terra qualquer argumentação de que não se tem uma produção em escala suficiente para reduzir os preços.

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Montadoras enviaram US$ 4 bilhões para suas matrizes em 2010

Li a entrevista do especialista Célio Hiratuka, professor do Instituto de Economia da Unicamp, à revista Automotive News Brasil deste mês. Nela, Hiratuka fala sobre a falta de competitividade da indústria automobilística no Brasil e das saídas para voltar a exportar e, principalmente, modernizar o parque industrial.

Mas o que mais me chamou atenção foi uma pergunta da revista sobre o envio de lucro para as matrizes em 2010, da ordem de US$ 4 bilhões, segundo dados fornecidos pelo Banco Central. Nesse trecho da entrevista, a ANB cita um artigo do professor que falava desse valor impressionante. Fui atrás dele na internet e encontrei uma matéria da revista Carta Capital de fevereiro.

Apesar de relativamente antigo, o artigo é bem esclarecedor. Lá, Hiratuka questiona o fato de as montadoras terem enviado os US$ 4 bilhões no ano passado e investirem apenas US$ 450 milhões em suas filiais brasileiras. Não é só: o professor diz que entre 2008 e 2010 foram US$ 12,4 bilhões de lucros enviados para o exterior contra um investimento de US$ 3,6 bilhões, ou seja, um saldo negativo de quase US$ 9 bilhões.

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Lucro Brasil faz consumidor pagar o carro mais caro do mundo

O Brasil tem o carro mais caro do mundo. Por quê? Os principais argumentos das montadoras para justificar o alto preço do automóvel vendido no Brasil são a alta carga tributária e a baixa escala de produção. Outro vilão seria o alto valor da mão de obra, mas os fabricantes não revelam quanto os salários - e os benefícios sociais - representam no preço final do carro. Muito menos os custos de produção, um segredo protegido por lei.

A explicação dos fabricantes para vender no Brasil o carro mais caro do mundo é o chamado Custo Brasil, isto é, a alta carga tributária somada ao custo do capital, que onera a produção. Mas as histórias que você verá a seguir vão mostrar que o grande vilão dos preços é, sim, o Lucro Brasil. Em nenhum país do mundo onde a indústria automobilística tem um peso importante no PIB, o carro custa tão caro para o consumidor.

A indústria culpa também o que chama de Terceira Folha pelo aumento do custo de produção: os gastos com funcionários, que deveriam ser papel do estado, mas que as empresas acabam tendo que assumir como condução, assistência médica e outros benefícios trabalhistas.

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